O Senado Federal realizou nesta quarta-feira (7) a
segunda sessão de discussão, em primeiro turno, da Proposta de Emenda à
Constituição (PEC) nº 221/2019, que reduz a jornada máxima semanal de trabalho
de 44 para 40 horas e garante dois dias de repouso remunerado por semana —
pondo fim à chamada escala 6x1, na qual o trabalhador atua seis dias e folga apenas
um.
A proposta precisa passar por cinco sessões de debate
antes de ser submetida à votação em primeiro turno; posteriormente, haverá mais
três sessões de discussão para o segundo turno. Para ser aprovada, a matéria
necessita do apoio de pelo menos três quintos dos senadores — ou seja, 49 dos
81 parlamentares — em cada turno. A terceira sessão de discussão em primeiro
turno está agendada para esta quinta-feira (8), a partir das 14h.
A líder do governo no Senado, senadora Teresa Leitão
(PT-PE), informou estar recolhendo assinaturas para apresentar um requerimento
de calendário especial, com o objetivo de acelerar a tramitação da proposta.
Ela ressaltou que a iniciativa não deve ser tratada como medida restrita ao
governo, mas como assunto de interesse de todos os parlamentares e da
sociedade. “Não vai ser um requerimento do governo, porque eu acho que a
votação dessa PEC, independentemente de posições, interessa a todos”, declarou.
A senadora rejeitou a ideia de que a votação deva
aguardar a futura composição da Casa, lembrando que os atuais senadores detêm
mandato e prerrogativas até 31 de janeiro de 2027. “Respeitem esta legislatura,
respeitem o direito integral de quem tem mandato até essa data. Estamos em
pleno direito de votar conforme a nossa consciência”, afirmou.
O senador Paulo Paim (PT-RS) defendeu a redução da
jornada sem qualquer redução salarial e citou experiências internacionais em
países da América Latina, Europa e Ásia. Segundo ele, dados da Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) indicam que jornadas menores podem vir acompanhadas de
manutenção ou elevação da produtividade, além de menor índice de acidentes e
doenças relacionadas ao trabalho. “Reduzir a jornada significa aumentar a
produtividade. Um trabalhador descansado produz mais”, ressaltou.
Entre as nações que já adotaram medidas semelhantes,
ele mencionou Chile, Colômbia, México, França, Portugal, Bélgica e Coreia do
Sul, todos com processos de redução gradual ao longo dos últimos anos.
Para o senador Marcelo Castro (MDB-PI), transformações
no mundo do trabalho — como a digitalização, a robotização e a disseminação do
trabalho remoto — tornam a mudança oportuna e viável. Ele destacou que a medida
beneficiaria especialmente os trabalhadores de menor renda, que são os mais
submetidos à escala de seis dias de trabalho seguidos. “Dois dias de descanso
são essenciais para a saúde física, mental e social, para que as pessoas possam
conviver mais entre si, se dedicar às suas famílias e ter um descanso
compatível com a condição humana”, argumentou.
A senadora Leany Lemos (PSB-DF) reforçou esse ponto,
observando que a proposta atinge principalmente quem ganha menos e estuda
menos, com longos deslocamentos diários, e que as mulheres são maioria entre os
potenciais beneficiados, já que frequentemente acumulam dupla ou tripla
jornada. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) acrescentou que a redução deve
ser encarada também como questão de saúde pública, citando dados da Organização
Mundial da Saúde (OMS) e da OIT que associam jornadas excessivas a maior risco
de AVC e doenças cardíacas.
O senador Oriovisto Guimarães (PSDB-PR) declarou não
se opor à proposta, mas criticou o ritmo e a forma da tramitação. Ele
apresentou emendas buscando esclarecer impactos sobre trabalhadores horistas e
setores específicos — como hospitais e a imprensa — e pediu espaço para que o
Plenário debata aperfeiçoamentos antes da votação. “Eu não aceito que se anule
simplesmente a nossa capacidade de colaborar com a PEC, de dialogar com a
sociedade e de apresentar questões que podem tornar o texto melhor”, afirmou. A
discussão segue em Plenário, com expectativa de votação ainda no decorrer deste
semestre legislativo.
Com informações da Agência Senado