Nova Monte Verde (MT) — Quase 35 anos depois de
conquistar sua autonomia política, Nova Monte Verde, no extremo norte de Mato
Grosso, prepara-se para celebrar, no próximo dia 19 de agosto, a trajetória de
um município que nasceu da coragem de famílias pioneiras e hoje consolida-se
como um importante polo de produção e desenvolvimento regional.
Com estimativa populacional de 8.470 habitantes em
2026, segundo dados do IBGE, distribuídos por uma área de 5.139,307 km², o
município apresenta características únicas: um território extenso, baixa
densidade demográfica de apenas 1,62 hab./km² e forte presença da zona rural —
onde residem cerca de 39% dos moradores, conforme o Censo de 2022. O PIB per
capita, por sua vez, atingiu R$ 53.163,86 em 2023, revelando uma base econômica
robusta, ainda que fortemente ligada ao campo.
Da colônia à emancipação: a trajetória de três décadas e meia
A história de Nova Monte Verde confunde-se com a
própria expansão da fronteira agrícola mato-grossense a partir da década de
1970. A região começou a ser ocupada com a chegada de famílias atraídas pela
perspectiva de terras férteis, organizadas no modelo de agrovilas, vinculadas
inicialmente ao município de Alta Floresta. O nome faz referência a um morro
existente na paisagem local, acrescido do termo “Nova” para diferenciá-lo de
outras localidades homônimas espalhadas pelo país.
O marco simbólico da fundação é celebrado em 19 de
agosto, data em que chegaram as primeiras famílias de colonos à região. O
reconhecimento administrativo veio em 1987, com a criação do Distrito de Monte
Verde, e a emancipação político-administrativa foi consolidada pela Lei
Estadual nº 5.915, de 20 de dezembro de 1991, quando o território foi
desmembrado de áreas de Alta Floresta, Apiacás e Juara. A instalação oficial do
município ocorreu em 1º de janeiro de 1993.
Ao longo desses 35 anos, a cidade transformou-se de um
núcleo de colonização em um município com estrutura própria, integrante do Consórcio
Intermunicipal de Desenvolvimento Econômico e Social do Vale do Teles Pires
(CIDVAT), ao lado de Alta Floresta, Apiacás, Carlinda, Nova Bandeirantes e
Paranaíta.
Economia: força do campo e caminhos para o futuro
A economia de Nova Monte Verde foi historicamente
construída sobre a riqueza do solo e dos recursos naturais. A agropecuária
responde por aproximadamente um terço da estrutura produtiva, com destaque para
a pecuária de corte e a produção agrícola em expansão. O setor de serviços
representa cerca de 28,7%, a indústria 20,7% e a administração pública 19,1%,
segundo levantamento municipal.
A agricultura familiar tem ganhado cada vez mais
protagonismo: por meio do Programa Municipal de Aquisição de Alimentos (PMAAF),
a Prefeitura tem investido cerca de R$ 700 mil na compra de produção local,
destinada à alimentação escolar e à rede de assistência social, fortalecendo
cadeias curtas de comercialização e mantendo renda no próprio território.
Além da agropecuária, atividades como produção
florestal e madeireira e a mineração compõem a base produtiva. Mas é na agroindustrialização
que reside uma das maiores perspectivas de crescimento: transformar a
matéria-prima local dentro do próprio município, gerando emprego, renda e
agregando valor à produção que hoje é majoritariamente exportada em estado
bruto.
O turismo também desponta como uma frente promissora,
reconhecida oficialmente no Plano Plurianual 2026–2029, com programa específico
voltado ao desenvolvimento do turismo sustentável, aproveitando a riqueza
ambiental, as paisagens naturais e a cultura regional.
35 anos: de olho nas raízes e no futuro
Ao completar 35 anos de emancipação, Nova Monte Verde
encontra-se em um momento de transição e oportunidades. A força dos pioneiros
que desbravaram a região com poucos recursos e muita esperança permanece viva,
mas agora somada a novas estratégias de desenvolvimento: fortalecimento da
agricultura familiar, estímulo à agroindústria, valorização do patrimônio
natural e integração regional.
São três décadas e meia de construção coletiva, em que
uma colônia de poucas famílias se transformou em um município com identidade, economia
e projetos próprios. E o melhor caminho para honrar esse passado, demonstram os
gestores e a população, é continuar investindo em um futuro onde a terra não
apenas seja bem cultivada, mas também bem vivida.