Na manhã desta quinta-feira (24), uma equipe integrada
pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de Mato Grosso
(Gaeco-MT), Receita Federal do Brasil e pelo Batalhão de Rondas Ostensivas
Tático Móvel (Rotam-MT) cumpriu um mandado de busca e apreensão em uma empresa
do ramo de combustíveis localizada em Várzea Grande, na Região Metropolitana de
Cuiabá. O alvo das buscas foi a sede da Tobras Distribuidora de Combustíveis
Ltda., conhecida comercialmente como Terrana, instalada em um prédio comercial
na avenida Júlio Domingos de Campos.
A ação em solo mato-grossense integra a Operação
Crédito Oculto, deflagrada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo
(MPSP) em conjunto com a Receita Federal e outras instituições, e que nesta
quinta-feira (24) cumpre mandados em 29 endereços vinculados a 13 pessoas
físicas e 24 pessoas jurídicas em sete estados. Além de Mato Grosso, a operação
tem apoio dos Gaecos dos estados do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás,
Minas Gerais e Espírito Santo.
A Operação Crédito Oculto é um desdobramento da
Operação Carbono Oculto, que desde 2025 investiga a infiltração do crime
organizado no setor de combustíveis no Brasil. O objetivo central da nova fase
é apurar a utilização de sofisticadas estruturas de lavagem de capitais para
viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do
país, a Terrana.
Segundo o MPSP, as investigações indicam que
operadores do mercado financeiro teriam estruturado mecanismos para ocultar os
verdadeiros beneficiários de empresas e ativos, utilizando fundos de
investimento, holdings, empresas patrimoniais, fintechs e companhias de fachada
para dificultar o rastreamento da origem dos recursos. A primeira estrutura
identificada foi criada para ocultar os reais proprietários de uma usina
sucroalcooleira localizada no interior de São Paulo. Posteriormente, novas
camadas societárias e financeiras teriam sido implementadas para dissimular a
titularidade do empreendimento e viabilizar operações financeiras de grande
vulto.
Entre os principais achados da investigação está uma
operação estimada em R$ 370 milhões envolvendo direitos creditórios da usina.
Os levantamentos apontam que recursos originados de fundos controlados pelo
mesmo grupo investigado teriam sido utilizados para conferir aparência de
legalidade às transações e dificultar a identificação dos reais beneficiários
econômicos.
As análises econômico-financeiras indicam que a
aquisição da distribuidora de combustíveis foi viabilizada por uma complexa
estrutura formada por banco, fundos de investimento, escritório de advocacia,
holdings, empresas patrimoniais e empresas de fachada. A suspeita é de que
essas estruturas tenham sido utilizadas para distanciar os recursos ilícitos de
sua origem e ocultar os verdadeiros financiadores da operação.
De acordo com a investigação, uma empresa financeira
utilizada na aquisição simulada da usina sucroalcooleira movimentou
aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o
volume financeiro movimentado, aliado aos demais elementos coletados, reforça
os indícios de lavagem de capitais, ocultação patrimonial e dissimulação da
origem dos recursos.
O Gaeco-MT é uma força-tarefa permanente coordenada
pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e integrada pela
Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal e pelo Sistema Socioeducativo. A
participação da unidade mato-grossense na Operação Crédito Oculto reforça a integração
entre os estados no combate ao crime organizado transnacional e às estruturas
financeiras que sustentam atividades ilícitas.
Em São Paulo, a operação é conduzida pelo Gaeco
estadual em conjunto com a Receita Federal, Secretaria da Fazenda do Estado de
São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil. As
investigações continuam em andamento e novos desdobramentos são esperados nas
próximas semanas.
