Nesta quinta-feira, 30 de julho, o diretório regional
do União Brasil em Mato Grosso encerrou uma convenção que mobilizou a legenda
durante todo o dia com uma decisão histórica: por maioria dos votos, o partido
renunciou a lançar candidatura própria ao governo do estado e firmou coligação
com o Republicanos para apoiar a reeleição do atual governador Otaviano
Pivetta.
Dos 50 convencionais presentes, 30 votaram a favor da
aliança com o Republicanos e o apoio à reeleição. Outras 19 manifestações foram
pela manutenção de uma candidatura própria — defendida principalmente pelo
senador da República Jayme Campos. Apenas um voto foi anulado.
O encontro foi marcado por forte tensão, acusações e
revolta por parte dos apoiadores do senador, que viam na sua postulação a
continuidade da trajetória da legenda no estado. Logo após a proclamação do
resultado, Jayme Campos subiu à tribuna para fazer seu pronunciamento:
“Prevaleceu o famoso rolo compressor. Prevaleceu,
muitas vezes, o poder econômico, com o qual eu não tinha como competir. E
nunca, jamais, fiz isso comprando quem quer que seja. Não foi uma eleição
tranquila. Não foi uma eleição transparente. Não foi uma eleição republicana.
Ela nada mais foi do que a força do poder do Estado, com acordos sendo feitos
na calada da noite. Foram acordos feitos, com certeza, muitas vezes buscando as
pessoas mais fracas, aquelas que, muitas vezes, não têm personalidade, não têm
dignidade. Pessoas que fazem de qualquer mandato ou de qualquer cargo, muitas
vezes, um instrumento, ou seja, um balcão de negócios. Jayme Campos jamais faz
negociata. Jayme Campos jamais vende sua dignidade. Jayme Campos será sempre
esse homem que foi durante toda a minha vida pública”, declarou o senador.
Do outro lado da disputa, o ex-governador de Mato
Grosso e presidente do União Brasil, Mauro Mendes, que conduziu todos os
trabalhos da convenção, reagiu às críticas com pesar, mas reafirmou a lisura do
processo:
“Eu lamento que o senador Jayme tenha dito isso.
Lamento profundamente, mas nada disso foi visto aqui hoje. O que aconteceu
seguiu absolutamente o regulamento eleitoral do partido, uma resolução que nós
publicamos e que foi validada pela direção nacional do partido. Ela foi muito
transparente. Todos os convencionais foram lá, votaram e expressaram o seu
voto. Tenho que dizer isso claramente. Não se pode falar apenas com base nessa
subjetividade”, afirmou.