O reajuste tarifário de 35% anunciado pela
concessionária Águas de Alta Floresta Ltda. — que entraria em vigor no próximo
dia 15 de agosto — enfrenta forte oposição da Prefeitura de Alta Floresta. Em
nota oficial e em declarações à imprensa, o Executivo Municipal rejeita a
legalidade do procedimento, afirma que o aumento não tem aprovação do poder
público local e já adota medidas para barrar a medida, podendo recorrer à
Justiça.
A Prefeitura informou, por meio de comunicado oficial,
que tomou conhecimento do comunicado da empresa sobre a recomposição tarifária
e que “já está adotando as medidas extrajudiciais cabíveis, buscando
esclarecimentos e a revisão do procedimento junto aos órgãos competentes”. A
administração reafirma ainda seu compromisso com a defesa do interesse público
e promete manter a população informada por meio dos canais oficiais.
“Não existe aprovação. A Águas está atropelando todo
um processo”, diz vice-prefeito Robson Quintino ao detalhar o posicionamento do
município ao portal Notícia Exata.
“O Executivo Municipal não reconhece a legalidade do
procedimento adotado pela empresa. O aumento anunciado não possui aprovação por
parte do Poder Executivo. Não existe aprovação. A Águas está atropelando todo
um processo — declarou.
Conforme o vice-prefeito, tanto a Prefeitura quanto a
própria Agência de Regulação e Fiscalização (AGIRF) já notificaram oficialmente
a concessionária na última sexta-feira (17), para que apresente esclarecimentos
e suspenda os efeitos da medida.
“Já foram notificados sobre isso, tanto pela
Prefeitura quanto pela agência reguladora, ontem (sexta-feira). Se for o caso,
vamos judicializar”, completou Quintino, sem descartar a entrada com ação
judicial caso o procedimento não seja revisto.
Conflito sobre autorização do reajuste
A polêmica gira em torno do Processo Administrativo nº
131/2026/FIS/AFL, no qual a AGIRF teria deliberado pela recomposição tarifária
em reunião do dia 9 de junho. Enquanto a concessionária se baseia nessa decisão
e no disposto no artigo 39 da Lei Federal nº 11.445/2007 para aplicar o aumento
de 35%, a Prefeitura defende que o trâmite não seguiu as regras e que falta a
chancela do município, parte interessada e responsável pelo serviço público de
saneamento básico.
A medida, se confirmada, representaria o maior
reajuste desde a privatização do setor na cidade — e impactaria ainda mais o
bolso do consumidor por causa da taxa de esgoto de 90% sobre o volume de água
consumido, um dos percentuais mais elevados do Brasil. Com a contestação,
porém, a entrada em vigor dos novos valores fica incerta.
O que vem a seguir
A Prefeitura informou que aguarda manifestação da
concessionária e da AGIRF sobre as notificações enviadas. Se não houver acordo
ou revisão do procedimento, o município deve recorrer ao Judiciário para
suspender o aumento e exigir o cumprimento das etapas legais para alteração de
tarifas.
O espaço permanece aberto para manifestação oficial da
concessionária Águas de Alta Floresta e a AGIRF, para esclarecimentos.