Em um pregão marcado por forte otimismo, o dólar caiu
para o menor patamar em 21 meses e fechou abaixo de R$ 5,20 nesta segunda-feira
(9), enquanto a bolsa de valores brasileira renovou seu recorde histórico,
ultrapassando a marca dos 186 mil pontos.
A moeda norte-americana encerrou o dia vendida a R$
5,188, com queda de R$ 0,032 (-0,62%). A cotação recuou ao longo de toda a
sessão e chegou a atingir R$ 5,17 por volta das 13h. No período da tarde, houve
leve recuperação, com investidores aproveitando o nível mais baixo para comprar
dólares, mas a divisa manteve o movimento de baixa até o fechamento.
Esse é o menor valor do dólar desde 28 de maio de
2024, quando a moeda estava cotada a R$ 5,15. No acumulado de 2026, a divisa
dos Estados Unidos registra queda de 5,47% frente ao real.
O mercado acionário também teve um dia de ganhos
expressivos. O índice Ibovespa, da B3, avançou 1,8% e fechou aos 186.241
pontos, impulsionado principalmente por ações de bancos, petroleiras e
mineradoras, setores com maior peso na composição do indicador. A última máxima
histórica havia sido registrada no último dia 3. No ano, a bolsa brasileira
acumula valorização de 15,69%.
Fatores externos impulsionam mercados
O dólar já abriu o pregão em queda frente ao real,
acompanhando o movimento observado no mercado internacional. Entre os fatores
que pressionaram a moeda estão especulações sobre possíveis intervenções para
fortalecer o iene japonês e a repercussão de dados recentes da economia dos
Estados Unidos.
Os números do mercado de trabalho norte-americano,
divulgados na semana passada, vieram abaixo do esperado, o que aumentou as
apostas de que o Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, possa voltar a
reduzir a taxa de juros. A vitória eleitoral da primeira-ministra japonesa
Sanae Takaichi também contribuiu para a desvalorização do dólar diante do iene.
O principal fator de impacto, no entanto, foi a
recomendação do governo chinês para que bancos privados reduzam a compra de
títulos do Tesouro dos Estados Unidos. A China é o maior detentor estrangeiro
desses papéis e busca diversificar suas reservas internacionais, movimento que
afetou o mercado de títulos americanos e enfraqueceu a moeda dos EUA.
Esse conjunto de fatores favoreceu ativos de risco e
beneficiou moedas e bolsas de países emergentes. Além do real, o dólar também
cedeu frente a divisas como o rand sul-africano, o peso mexicano e o peso
chileno. O cenário externo mais favorável, observado desde o início do ano,
tende a persistir e pode continuar a apoiar o desempenho do câmbio brasileiro
nos próximos meses.