Alta Floresta

01 de setembro de 2026

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Prefeito e vice detalham análise da concessão da água em Alta Floresta

Prefeito e vice detalham análise da concessão da água em Alta Floresta
Danubio Ferreira

Na manhã desta segunda-feira (31), em entrevista coletiva, o prefeito de Alta Floresta, Chico Gamba, e o vice-prefeito e secretário de Governo, Gestão e Planejamento, Robson Quintino, detalharam a situação do abastecimento de água no município — moradores de diversos bairros relatam água turva, imprópria para consumo, e períodos sem fornecimento que chegam a mais de uma semana — e apresentaram as medidas adotadas pela prefeitura diante da atuação da concessionária Norte Saneamento.

Ao assumir a administração, a prefeitura sequer possuía em seus arquivos cópia do contrato de concessão com a empresa responsável pelo serviço. A concessão passou por mudanças de operadoras, saindo da Águas de Alta Floresta e chegando à atual Norte Saneamento.

Robson Quintino complementou que a situação se agravou durante a transição entre empresas: “Em 2022, a Iguá começou o processo de venda para a Norte Saneamento, que levou dois anos. Nesse período, não se preocuparam com reequilíbrio nem com melhorias. Só em 2024 a empresa passou a cobrar reequilíbrio de fato”.

A gestão encontrou um contrato firmado em 2002 com condições consideradas prejudiciais ao município, entre elas uma taxa de remuneração de 46% ao ano — índice muito superior aos juros de mercado. A Norte Saneamento chegou a pedir um reequilíbrio econômico-financeiro que equivaleria a um aumento de aproximadamente 28.000%.

“O contrato feito em 2002 não trouxe nenhum benefício para o município. A empresa pediu reequilíbrio de 28.000%. O Chico foi claro: ‘Encerramos o contrato e vamos brigar na Justiça’. Não existe dar esse aumento”, disse Quintino.

A prefeitura trocou a agência reguladora contratada — da AGER de Sinop para a AGIRF, de Barra do Garças — com o objetivo de fazer um levantamento técnico preciso sobre direitos e obrigações de cada parte. O prefeito informou também que o município contratou outra empresa para auditar os dados e garantir segurança nas negociações.

Segundo levantamentos técnicos apresentados, a água que sai da estação de tratamento está dentro dos padrões de qualidade exigidos por lei. A coloração e a turbidez que chegam às residências ocorrem por causa de acúmulo de magnésio, acumulado ao longo de anos nas redes de distribuição. Quando há queda de pressão ou interrupção no fornecimento, o material se solta e retorna junto com a água.

“Os estudos mostram que a água sai do tratamento com qualidade. Mas temos muito magnésio na região. Com o tempo, acumula nos canos. Quando falta água e volta a pressão, traz essa coloração. Pedimos à empresa que pesquise tecnologia para reduzir isso, e estão estudando tratamento com ozônio”, explicou Chico Gamba.

O vice-prefeito reforçou: “A água chega suja à casa das pessoas e está imprópria para consumo, sim. A causa é a rede sobrecarregada e a falta de investimentos ao longo dos anos pela concessionária”.

A gestão esclareceu que não há escassez de água em quantidade, e sim insuficiência de reservação.

“Trazer água do Teles Pires custaria, em levantamento inicial, cerca de R$ 100 milhões. Além da obra, há o custo operacional contínuo, que encarece ainda mais a tarifa. Enquanto isso, com mais reservatórios conseguimos estender o abastecimento por períodos bem maiores”, detalhou o prefeito.

Ele apresentou os cálculos técnicos: hoje o consumo médio é de 10 mil metros cúbicos por dia. Um reservatório de 15 hectares com dois metros de lâmina d’água atende cerca de 30 dias; com 30 hectares, chega a cerca de 60 dias de reserva. Com as ampliações já feitas, o sistema ganha aproximadamente 50 dias a mais de abastecimento garantido no período de estiagem.

Também é estudada a construção de mais reservatórios na região do Mariana, com as possibilidades Mariana 1, 2 e até uma terceira etapa. A empresa já foi orientada a manter represas fechadas para aumentar o volume de reserva.

“Não temos problema de falta de água; nosso problema é reservação, e isso tem solução. Mas não vamos fazer alardes nem levar desespero à população com soluções milagrosas”, afirmou Quintino. “Toda decisão é avaliada com cuidado: qualquer aumento de custo pode chegar ao bolso do consumidor. Estamos negociando com responsabilidade, cobrando investimentos da empresa e evitando reajustes abusivos”.

Gazeta do Nortão
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