A 1ª Promotoria de Justiça Cível de Chapada dos
Guimarães (a 65 quilômetros de Cuiabá) recomendou a suspensão imediata da
admissão de novos pacientes no Centro de Tratamento Vida Serena Premier após
identificar indícios de irregularidades no funcionamento da unidade.
A medida foi adotada no âmbito de um inquérito civil
instaurado para apurar supostas irregularidades na clínica, que atende pessoas
com transtornos mentais e dependência química.
As investigações começaram após denúncia encaminhada à
Ouvidoria do Ministério Público de Mato Grosso. A apuração integra ações do
projeto Escuta Pró-Ativa, coordenado pela ouvidora-geral do MPMT, procuradora
de Justiça Eliana Cícero de Sá Maranhão Ayres Campos, que realiza visitas
técnicas para verificar as condições de atendimento em unidades de acolhimento
e tratamento.
Neste ano, o projeto já promoveu fiscalizações em
penitenciárias de Cuiabá e Várzea Grande, além de comunidades terapêuticas e
clínicas localizadas em Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Durante as inspeções, relatórios técnicos apontaram
possíveis inconsistências entre o licenciamento da unidade e as atividades
efetivamente desenvolvidas no local.
Em inspeção realizada na instituição, foram
identificados cerca de 43 pacientes acolhidos. Também foram constatadas
possíveis inadequações estruturais e indícios da realização de procedimentos
típicos de unidades médico-hospitalares.
De acordo com a promotoria, a fiscalização realizada
pelo Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) constatou que a
unidade realiza internações voluntárias, involuntárias e compulsórias. O relatório também apontou incompatibilidades
entre os serviços prestados e o licenciamento sanitário então vigente, além de
outras inconformidades administrativas e técnicas.
O Ministério Público também constatou, durante a
inspeção, a ausência de licença sanitária válida para o funcionamento da clínica.
Conforme o procedimento, o alvará anteriormente apresentado perdeu a vigência
e, até o momento, não houve comprovação da obtenção de uma nova autorização.
Para o promotor de Justiça Leandro Volochko, a medida
tem caráter preventivo e busca garantir a proteção dos pacientes.
“Nosso objetivo é resguardar a saúde e a segurança das
pessoas acolhidas enquanto os órgãos competentes analisam a regularidade do
funcionamento da unidade e das atividades desenvolvidas no local”, destacou.
Além da recomendação para suspender
novas internações, a Promotoria requisitou informações sobre os pacientes
atualmente acolhidos e determinou o envio de ofícios à Vigilância Sanitária e
ao CRM-MT para a realização de novas fiscalizações.