A cafeicultura de Alta Floresta, no
norte de Mato Grosso, passa por um ciclo de expansão e ganhos expressivos de
produtividade. Dados da gestão municipal apontam que lavouras formadas com
mudas clonais de alta performance podem alcançar até 127 sacas por hectare, com
média de 80 sacas por hectare — valor muito superior ao registrado em cultivos
tradicionais formados por sementes, que apresentam baixa produtividade em razão
da variabilidade genética e da fecundação cruzada da espécie Coffea canephora.
Para dar continuidade a esse crescimento e suprir uma
demanda que cresce cerca de 30% ao ano na área cultivada, a Prefeitura de Alta
Floresta publicou o Pregão Eletrônico nº 040/2026, vinculado ao Processo
Administrativo nº 145/2026, com valor estimado de R$ 1.241.075,00. A sessão
está marcada para o dia 09 de setembro de 2026, às 9h30 (horário de Brasília),
por meio da plataforma BLL Compras, sob critério de menor preço e modalidade de
pregão eletrônico com modo de disputa aberto e fechado. As propostas e
documentos de habilitação devem ser cadastrados até às 9h15 do mesmo dia. A
contratação será formalizada por meio de Ata de Registro de Preços.
Tecnologia
para ampliar a produção
O certame visa adquirir equipamentos e insumos que
permitirão a substituição do sistema convencional de produção de mudas em sacolinhas
pelo uso de biopotes biodegradáveis, tecnologia que reduz a necessidade de mão
de obra, acelera o processo produtivo e eleva a qualidade das mudas. A
expectativa é produzir até 1 milhão de mudas por ano, sanando a defasagem anual
de aproximadamente 50 mil mudas que hoje limita a expansão da cultura.
Desde 2017, o município executa o Programa PRÓ-CAFÉ,
que incentiva a implantação de lavouras com materiais genéticos selecionados.
Em 2024, foram produzidas 150 toneladas de café, com perspectiva de dobrar esse
volume em 2025. A cada ano, cerca de 100 mil mudas são distribuídas, o que
corresponde à formação de aproximadamente 60 hectares de lavoura. Atualmente, o
programa atende 100 produtores familiares de forma direta e outros 45
indiretamente, beneficiando também comunidades rurais e assentamentos da
região.
Os clones utilizados — entre eles R22, R25, R08, LB15,
156, LB10, R88 e AS2 — foram selecionados por alta produtividade, tolerância a
pragas e adaptação às condições climáticas locais. Além de mais produtivas, as
mudas clonais garantem uniformidade da lavoura, menor suscetibilidade a doenças
e maturação escalonada, facilitando a colheita.
Fortalecimento da agricultura familiar e desenvolvimento regional
A iniciativa também prevê a destinação de parte das
mudas a outros municípios do estado por meio de convênio com a Secretaria de
Estado de Agricultura Familiar. Com isso, espera-se não apenas ampliar a área
cultivada e a renda no campo, mas também minimizar o êxodo rural, gerar
empregos e aquecer a economia de toda a região.
Conforme a gestão municipal, a cafeicultura representa
eixo estratégico de desenvolvimento: ao investir em tecnologia e assistência
técnica, o município consolida um modelo produtivo sustentável, que valoriza a
agricultura familiar e coloca Alta Floresta como referência na produção de café
conilon de qualidade em Mato Grosso.
