A Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e do Conselho
Municipal de Segurança Pública, amplia as ações de proteção à fauna silvestre com
a instalação de oito novas pontes artificiais de dossel. A iniciativa integra a
segunda etapa do programa Alta Floresta Não Atropela (AFNA), que será realizada
entre os dias 3 e 20 de agosto de 2026.
Com a nova etapa, o município passará a contar com 15
pontes de dossel, estruturas que permitem a travessia segura de animais
arborícolas entre fragmentos florestais separados pelas vias urbanas.
O lançamento oficial da segunda fase do programa será
realizado no dia 10 de agosto, às 19h, no Teatro Agostinho Bizinoto (Praça da
Cultura), reunindo representantes da Prefeitura, instituições parceiras,
pesquisadores e comunidade.
As oito novas estruturas serão instaladas em pontos
estratégicos de quatro vias do município: quatro na Avenida Teles Pires, duas
na Rua Raimundo Carlos de Figueiredo, uma na Avenida Jaime Veríssimo de Campos
e uma na Avenida Mato Grosso.
A primeira etapa do programa foi implantada em outubro
de 2024, quando sete pontes foram instaladas. Em 15 meses de monitoramento por
câmeras, foram registradas quase 15 mil travessias de animais silvestres,
incluindo seis espécies de primatas presentes na área urbana e periurbana de
Alta Floresta.
Um dos resultados mais importantes foi a ausência de
novos registros de atropelamentos de primatas nas áreas diretamente
contempladas pelas estruturas desde a instalação das primeiras pontes.
Para a secretária municipal de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável, Gercilene Meira Leite, o programa demonstra que a
conservação da biodiversidade pode caminhar lado a lado com o desenvolvimento
urbano.
“O Reconecta e o Programa Alta Floresta Não Atropela
transformaram Alta Floresta em uma referência para a conservação da fauna em
áreas urbanas da Amazônia. Os resultados demonstram que, com ciência, parceria
e planejamento, é possível proteger a biodiversidade e promover o
desenvolvimento sustentável”, destaca Gercilene.
As novas pontes utilizarão o sistema denominado “3 em
1”, composto por diferentes elementos que atendem às formas de locomoção das
espécies. O modelo reúne uma ponte com cordas entrecruzadas, outra formada por
cabo de aço e cordas trançadas e um cabo superior que auxilia o deslocamento de
espécies que possuem cauda preênsil.
Outra ação importante desta segunda etapa será
realizada em parceria com a Energisa, que fará o rebaixamento das redes e o
isolamento dos cabos elétricos em dez pontos próximos às travessias, incluindo
duas pontes já existentes. A medida busca reduzir o risco de choques elétricos
envolvendo animais silvestres.
A iniciativa é coordenada pela pesquisadora Fernanda
Abra, do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas, responsável pelo Projeto
Reconecta. O projeto desenvolveu o modelo de ponte utilizado em Alta Floresta,
que posteriormente passou a integrar orientações técnicas nacionais para a
mitigação dos impactos das rodovias sobre a fauna.
A segunda etapa do Alta Floresta Não Atropela é
realizada pela Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria de Meio
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e do Conselho Municipal de Segurança
Pública, em parceria com o Projeto Reconecta/IPÊ, Energisa, Fazenda Anacã e
Fundação Ecológica Cristalino.
A Prefeitura participa diretamente da execução do
projeto, oferecendo contrapartidas para a aquisição de postes e cruzetas, disponibilizando
caminhão munck e garantindo alimentação das equipes envolvidas na instalação
das estruturas.
Com a ampliação da rede de pontes, Alta Floresta
reforça seu compromisso com a preservação da fauna amazônica e demonstra que
políticas públicas, conhecimento científico e participação da sociedade podem
produzir soluções concretas para os desafios ambientais presentes no cotidiano
das cidades
