O prefeito de Paranaíta, Osmar Mandacaru, fez um
pronunciamento oficial direcionado à comunidade, trabalhadores e empresários da
Gleba São Benedito, região que fica na divisa entre Mato Grosso e o Pará, e
reforçou que o principal objetivo da gestão e das cidades vizinhas não é
reivindicar fronteiras, mas garantir atendimento público digno para quem vive e
produz no local.
Durante sua fala, o chefe do executivo municipal
lembrou que Paranaíta, além de municípios como Alta Floresta, já realiza há
anos o trabalho de levar serviços públicos à população da Gleba São Benedito,
mesmo que a área esteja fora dos limites oficiais de Mato Grosso. “Nós não
queremos território. Nós não estamos brigando por divisa, nós estamos brigando
por dignidade, por serviços públicos para atender aquela população”, destacou o
prefeito.
Mandacaru informou que nesta quarta-feira, dia 10 de
junho, haverá uma audiência de conciliação com o ministro Flávio Dino, momento
que considera decisivo para encontrar uma solução para os problemas da região.
Ele fez um apelo a autoridades de ambos os estados: à governadora do Pará,
deputados estaduais e federais, além de representantes de Mato Grosso, pedindo
apoio e entendimento.
Segundo o prefeito, a Gleba São Benedito é uma área
altamente produtiva, onde se cultiva arroz, soja e se desenvolve a pecuária com
tecnologia de ponta, mas que nunca recebeu a devida atenção do estado ao qual
pertence a divisão territorial, o Pará — chamado por ele de “estado mãe”. A
principal reclamação apresentada é a bitributação, prática que, segundo ele,
torna as atividades econômicas cada vez mais inviáveis e ameaça o
desenvolvimento local.
“Nós estamos fazendo um pedido de socorro pros
prefeitos desta região que tem que atender uma população fora do seu município
e fora do seu estado”, afirmou, ao ressaltar que o trabalho das gestões
municipais acontece sem o suporte necessário das instâncias responsáveis.
O prefeito deixou claro que a reivindicação é por
atendimento, independentemente de qual ente federado fique responsável por
prestá-lo. “O que nós exigimos agora é uma ajuda de todos que podem estar nessa
audiência, que independente quem seja que vai levar esses serviços públicos, se
for Mato Grosso, se for Pará, mas que tenha dignidade”, completou.
Ele também agradeceu a todas as pessoas e entidades
que têm apoiado a causa, classificando-a como uma luta por desenvolvimento e
qualidade de vida, e não por disputas políticas ou territoriais. Mandacaru
encerrou seu pronunciamento com expectativa positiva para o encontro com o
ministro: “Vamos estar lá no dia 10 para resolver, se Deus quiser, junto com o
ministro Flávio Dino, esse problema do sul do Pará”.