Alta Floresta

15 de outubro de 2026

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14ª Capacitação em Meliponicultura fortalece a criação de abelhas sem ferrão em Alta Floresta

Iniciativa reúne instituições de ensino, produtores e interessados na atividade, promovendo conhecimentos sobre manejo sustentável, preservação ambiental e geração de renda para a agricultura familiar.

14ª Capacitação em Meliponicultura fortalece a criação de abelhas sem ferrão em Alta Floresta
Direção de Comunicação

A Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SMMADS), realizou a 14ª Capacitação em Meliponicultura da Amazônia Mato-Grossense, com o objetivo de incentivar a criação sustentável de abelhas nativas sem ferrão e ampliar o conhecimento técnico de produtores e interessados na atividade.

A capacitação contou com a participação de representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus de Alta Floresta, reunindo especialistas, acadêmicos, apicultores e meliponicultores para compartilhar experiências e técnicas relacionadas à criação e ao manejo dessas espécies.

A programação foi dividida em duas etapas. Durante a manhã, os participantes acompanharam aulas teóricas sobre os princípios da meliponicultura, técnicas de manejo, cuidados necessários para a manutenção das colônias e métodos de multiplicação dos enxames. No período da tarde, os conhecimentos foram colocados em prática no Meliponário Municipal, proporcionando uma experiência direta com as abelhas nativas sem ferrão.

A atividade prática contou com o acompanhamento de técnicos, acadêmicos e professores, que orientaram os participantes sobre o funcionamento das colmeias e os procedimentos adequados para a divisão das colônias, técnica utilizada para ampliar a criação de maneira planejada e sustentável.

O acadêmico de Medicina Veterinária da UFMT, Elvis Franco, destacou a importância da vivência prática para consolidar os conhecimentos apresentados durante a capacitação.

“Trouxemos os participantes que acompanharam a parte teórica para colocar a mão na massa. Mostramos como funciona a divisão das colmeias, para que eles possam aplicar esse conhecimento futuramente e aumentar o número de colônias”, explicou.

Além dos aspectos técnicos relacionados à criação das abelhas, a capacitação também abordou o potencial econômico da meliponicultura, especialmente para pequenos produtores e agricultores familiares.

A professora doutora Carmen Wobeto, da Universidade Federal de Mato Grosso, campus de Sinop, ressaltou que a atividade oferece oportunidades de diversificação da produção rural, principalmente por meio da comercialização do mel e de outros produtos das colmeias.

Durante o curso, foram apresentadas orientações sobre a extração higiênica do mel, destacando a importância dos cuidados sanitários para garantir a qualidade do produto e a segurança alimentar dos consumidores.

Outro produto abordado foi o pólen armazenado pelas abelhas, conhecido como saburá, que possui valor nutricional e potencial de aproveitamento comercial.

“Ter as abelhas na propriedade agrega valor à produção agrícola e ainda oferece a possibilidade de comercialização dos produtos das colmeias”, destacou a professora.

A criação de abelhas nativas sem ferrão também desempenha um papel fundamental na conservação ambiental. Por meio da polinização, esses insetos contribuem para a reprodução de diversas espécies vegetais, favorecendo a biodiversidade e a produtividade agrícola.

A capacitação também evidenciou resultados positivos alcançados por participantes de edições anteriores, demonstrando como o conhecimento técnico pode contribuir para o desenvolvimento da meliponicultura no município.

Júlio César Ferreira, participante da atividade, compartilhou a experiência de sua família, que iniciou a criação há aproximadamente três anos, após seu pai participar de uma das capacitações oferecidas no município.

Segundo ele, a atividade começou com apenas duas caixas de abelhas e, por meio da multiplicação das colônias e do manejo contínuo, a família conseguiu ampliar a criação.

“Meu pai começou com duas caixas de abelhas. Todo ano foi multiplicando e hoje estamos com aproximadamente 50 caixas”, relatou.

Outro exemplo é o de Marcelo Brandão, que participou da capacitação realizada no ano anterior. Ele iniciou a atividade com apenas uma caixa e, aplicando os conhecimentos adquiridos, conseguiu expandir sua criação para aproximadamente 25 caixas, passando também a comercializar enxames.

Marcelo destacou que, além da oportunidade econômica, a meliponicultura proporciona uma relação mais próxima com a natureza e contribui diretamente para a preservação ambiental.

“É uma oportunidade de cuidar da natureza, de polinizar o bairro e de ter gratidão pelas abelhas, pelo alimento que temos na mesa”, afirmou.

A realização da 14ª Capacitação em Meliponicultura reforça a importância da educação ambiental e da qualificação técnica como instrumentos de incentivo às atividades produtivas sustentáveis em Alta Floresta.

Ao promover a integração entre instituições de ensino, poder público e comunidade, a iniciativa contribui para a disseminação de boas práticas de manejo, a conservação das abelhas nativas e o fortalecimento de alternativas de geração de renda para a agricultura familiar.

A ação também valoriza o Meliponário Municipal como espaço de aprendizagem e demonstração prática, incentivando novos criadores e proporcionando a troca de experiências entre participantes iniciantes e meliponicultores que já desenvolvem a atividade.

Com iniciativas dessa natureza, a Prefeitura de Alta Floresta fortalece as ações de educação ambiental, incentiva o empreendedorismo sustentável e contribui para a preservação da biodiversidade amazônica, associando desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.

Severino Júnior/Secretaria de Assistência Social
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