A Prefeitura de Alta Floresta, por meio da Secretaria
Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SMMADS), realizou a
14ª Capacitação em Meliponicultura da Amazônia Mato-Grossense, com o objetivo
de incentivar a criação sustentável de abelhas nativas sem ferrão e ampliar o
conhecimento técnico de produtores e interessados na atividade.
A capacitação contou com a participação de
representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop,
e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus de Alta Floresta, reunindo
especialistas, acadêmicos, apicultores e meliponicultores para compartilhar
experiências e técnicas relacionadas à criação e ao manejo dessas espécies.
A programação foi dividida em duas etapas. Durante a
manhã, os participantes acompanharam aulas teóricas sobre os princípios da
meliponicultura, técnicas de manejo, cuidados necessários para a manutenção das
colônias e métodos de multiplicação dos enxames. No período da tarde, os
conhecimentos foram colocados em prática no Meliponário Municipal,
proporcionando uma experiência direta com as abelhas nativas sem ferrão.
A atividade prática contou com o acompanhamento de
técnicos, acadêmicos e professores, que orientaram os participantes sobre o
funcionamento das colmeias e os procedimentos adequados para a divisão das
colônias, técnica utilizada para ampliar a criação de maneira planejada e
sustentável.
O acadêmico de Medicina Veterinária da UFMT, Elvis
Franco, destacou a importância da vivência prática para consolidar os conhecimentos
apresentados durante a capacitação.
“Trouxemos os participantes que acompanharam a parte
teórica para colocar a mão na massa. Mostramos como funciona a divisão das
colmeias, para que eles possam aplicar esse conhecimento futuramente e aumentar
o número de colônias”, explicou.
Além dos aspectos técnicos relacionados à criação das
abelhas, a capacitação também abordou o potencial econômico da meliponicultura,
especialmente para pequenos produtores e agricultores familiares.
A professora doutora Carmen Wobeto, da Universidade
Federal de Mato Grosso, campus de Sinop, ressaltou que a atividade oferece
oportunidades de diversificação da produção rural, principalmente por meio da
comercialização do mel e de outros produtos das colmeias.
Durante o curso, foram apresentadas orientações sobre
a extração higiênica do mel, destacando a importância dos cuidados sanitários
para garantir a qualidade do produto e a segurança alimentar dos consumidores.
Outro produto abordado foi o pólen armazenado pelas
abelhas, conhecido como saburá, que possui valor nutricional e potencial de
aproveitamento comercial.
“Ter as abelhas na propriedade agrega valor à produção
agrícola e ainda oferece a possibilidade de comercialização dos produtos das
colmeias”, destacou a professora.
A criação de abelhas nativas sem ferrão também
desempenha um papel fundamental na conservação ambiental. Por meio da
polinização, esses insetos contribuem para a reprodução de diversas espécies
vegetais, favorecendo a biodiversidade e a produtividade agrícola.
A capacitação também evidenciou resultados positivos
alcançados por participantes de edições anteriores, demonstrando como o
conhecimento técnico pode contribuir para o desenvolvimento da meliponicultura
no município.
Júlio César Ferreira, participante da atividade,
compartilhou a experiência de sua família, que iniciou a criação há
aproximadamente três anos, após seu pai participar de uma das capacitações
oferecidas no município.
Segundo ele, a atividade começou com apenas duas
caixas de abelhas e, por meio da multiplicação das colônias e do manejo
contínuo, a família conseguiu ampliar a criação.
“Meu pai começou com duas caixas de abelhas. Todo ano
foi multiplicando e hoje estamos com aproximadamente 50 caixas”, relatou.
Outro exemplo é o de Marcelo Brandão, que participou
da capacitação realizada no ano anterior. Ele iniciou a atividade com apenas
uma caixa e, aplicando os conhecimentos adquiridos, conseguiu expandir sua
criação para aproximadamente 25 caixas, passando também a comercializar
enxames.
Marcelo destacou que, além da oportunidade econômica,
a meliponicultura proporciona uma relação mais próxima com a natureza e
contribui diretamente para a preservação ambiental.
“É uma oportunidade de cuidar da natureza, de
polinizar o bairro e de ter gratidão pelas abelhas, pelo alimento que temos na
mesa”, afirmou.
A realização da 14ª Capacitação em Meliponicultura
reforça a importância da educação ambiental e da qualificação técnica como
instrumentos de incentivo às atividades produtivas sustentáveis em Alta
Floresta.
Ao promover a integração entre instituições de ensino,
poder público e comunidade, a iniciativa contribui para a disseminação de boas
práticas de manejo, a conservação das abelhas nativas e o fortalecimento de
alternativas de geração de renda para a agricultura familiar.
A ação também valoriza o Meliponário Municipal como
espaço de aprendizagem e demonstração prática, incentivando novos criadores e
proporcionando a troca de experiências entre participantes iniciantes e
meliponicultores que já desenvolvem a atividade.
Com iniciativas dessa natureza, a Prefeitura de Alta
Floresta fortalece as ações de educação ambiental, incentiva o empreendedorismo
sustentável e contribui para a preservação da biodiversidade amazônica,
associando desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental.