Mato Grosso poderá registrar uma perda estimada em R$
10 bilhões ao final do período de transição da Reforma Tributária. O alerta foi
feito pelo secretário de Estado de Fazenda, Fábio Pimenta, durante o 2º
Encontro Técnico sobre a Reforma Tributária para Municípios, realizado pelo
Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), nesta quarta-feira (14),
em Cuiabá. O evento reúne gestores públicos e técnicos para discutir os
impactos das mudanças nas finanças municipais e as estratégias para adequação
ao novo modelo de arrecadação.
Durante a abertura da programação de palestras,
Pimenta destacou a importância de os municípios ampliarem a arrecadação própria
ainda em 2026. Segundo ele, os valores arrecadados entre 2019 e 2026 servirão
de referência para a distribuição de parte das receitas durante a transição
tributária, o que torna o desempenho fiscal deste ano especialmente relevante
para o futuro das administrações municipais.
“A receita dos próximos 50 anos começa a ser definida
agora. É fundamental que os gestores municipais melhorem sua arrecadação ainda
em 2026, pois os valores arrecadados entre 2019 e 2026 servirão de base para
amenizar as perdas com a Reforma Tributária”, afirmou o secretário.
A preocupação do governo estadual está relacionada à
mudança na sistemática de tributação, que deixará de priorizar a origem da
produção e passará a considerar o destino do consumo na distribuição das
receitas. Atualmente, a economia mato-grossense tem forte participação do setor
produtivo, especialmente na produção de bens e mercadorias.
Com a reforma, o Imposto sobre Circulação de
Mercadorias e Serviços (ICMS), de competência estadual, e o Imposto sobre
Serviços (ISS), municipal, serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre
Bens e Serviços (IBS). A arrecadação do novo tributo será distribuída entre estados
e municípios conforme as regras estabelecidas para o novo sistema.
“Mato Grosso é um estado produtor e, com a mudança da
tributação da origem para o destino, terá uma perda estimada, ao final do
período de transição, de cerca de R$ 10 bilhões. Os municípios mato-grossenses
também serão impactados, pois possuem uma população relativamente pequena
diante do volume de produção”, explicou Pimenta.
Durante a palestra, o secretário também apresentou os
critérios previstos para a distribuição da parcela estadual do IBS destinada
aos municípios. Pelo novo modelo, 80% dos recursos serão repartidos
proporcionalmente à população, enquanto 10% serão distribuídos conforme
indicadores de aprendizagem e equidade na educação. Outros 5% terão como
referência critérios ambientais, e os 5% restantes serão divididos em parcelas
iguais entre os municípios.
O procurador do Estado e ex-secretário de Fazenda
Rogério Gallo, que participou da abertura das palestras ao lado de Pimenta,
defendeu a revisão de pontos da reforma que, na avaliação dele, podem
prejudicar Mato Grosso, principalmente em relação aos critérios de distribuição
dos recursos.
Segundo Gallo, municípios com menor população e maior
dependência de transferências estaduais e federais poderão enfrentar
dificuldades financeiras ainda maiores. Para ele, uma eventual revisão das
regras depende de articulação política e de mudanças conduzidas pelo Congresso
Nacional.
“Um dos caminhos seria exatamente fazer essa revisão
dos critérios de distribuição do IBS. Mas isso depende do Congresso Nacional,
dos deputados federais, dos senadores e de toda uma articulação que deve ser
feita”, declarou.
O presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo,
também ressaltou a necessidade de os gestores municipais fortalecerem a
arrecadação própria. Ele chamou a atenção para a situação de cidades com poucos
habitantes, que dependem significativamente dos repasses dos governos estadual
e federal para manter os serviços públicos.
Outro tema abordado foi a parceria entre a Secretaria
de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) e a Associação Mato-grossense dos Municípios
(AMM) para preparar as administrações tributárias para o novo sistema. A
atuação conjunta ocorre por meio de um Comitê Gestor Regional, com grupos
técnicos responsáveis pela integração das estruturas tributárias, pela
realização de estudos e por simulações dos impactos da reforma.
A iniciativa busca ampliar a cooperação entre Estado e
municípios, facilitar o compartilhamento de informações e oferecer subsídios
para o planejamento das receitas e despesas municipais diante das mudanças.