A manhã desta terça-feira (2) foi marcada pela
abertura da campanha de combate ao trabalho infantil no CRAS Casa da Família,
localizado na Região da Cidade Alta, no Bairro Guaraná, em Alta Floresta. A
iniciativa reúne profissionais da assistência social e integra as ações
alusivas ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado em 12 de
junho.
Durante a programação, foram realizadas palestras
voltadas à conscientização da população sobre os prejuízos causados pelo
trabalho precoce de crianças e adolescentes. As atividades foram conduzidas
pela psicóloga Cíntia, do CRAS Conviver, e pela conselheira tutelar Roseli.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Nortão, a
psicóloga do CRAS Casa da Família, Andressa Gutterres, destacou que a campanha
tem como principal objetivo orientar a população sobre a importância da
proteção integral de crianças e adolescentes e alertar sobre situações que
ainda ocorrem na sociedade.
“É importante que a gente reconheça que os casos de
trabalho infantil ainda existem e precisam ser combatidos. Nosso objetivo é
conscientizar e orientar a população para que ela compreenda o que é o trabalho
infantil e saiba como agir quando identificar uma situação desse tipo”,
afirmou.
Segundo a psicóloga, as ações da campanha serão
desenvolvidas ao longo de todo o mês de junho e envolverão não apenas os
Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), mas também outros setores
da administração pública, como saúde e educação.
Andressa ressaltou que uma das principais formas de
enfrentamento ao problema é a denúncia. De acordo com ela, ao identificar uma
possível situação de trabalho infantil, a população pode procurar a rede de
proteção formada pelo CRAS, CREAS e Conselho Tutelar, além de registrar
denúncias por meio do Disque 100.
A profissional explicou ainda que o trabalho infantil
pode provocar sérios prejuízos ao desenvolvimento físico, psicológico e
educacional das crianças. “Quando a criança é inserida precocemente em
atividades de trabalho, ela acaba vivenciando situações que não são adequadas
para sua idade. Isso pode comprometer seu desenvolvimento e até mesmo seu
desempenho escolar”, alertou.
Entre os fatores que contribuem para a ocorrência do
trabalho infantil, Andressa citou questões culturais, sociais e econômicas.
Segundo ela, ainda existe uma normalização da prática por parte de algumas
pessoas que acreditam que trabalhar na infância não traz consequências
negativas. Além disso, dificuldades financeiras enfrentadas por algumas
famílias acabam favorecendo a inserção precoce de crianças no mercado de
trabalho.
A psicóloga reforçou que a rede socioassistencial do
município atua continuamente no acompanhamento e orientação das famílias,
independentemente das campanhas temáticas. “As campanhas ajudam a dar
visibilidade aos assuntos, mas o trabalho acontece durante todo o ano, com
acompanhamento familiar, fortalecimento de vínculos e garantia de acesso aos
direitos e às políticas públicas”, destacou.
O CRAS Casa da Família oferece diversos serviços à
população atendida, incluindo acompanhamento pelo Serviço de Proteção e Atendimento
Integral à Família (PAIF), atividades do Serviço de Convivência e
Fortalecimento de Vínculos (SCFV), orientações sobre benefícios sociais como
Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de
encaminhamentos para as áreas de saúde, educação e programas estaduais, como o
SER Família.
A unidade atende de segunda a sexta-feira, das 7h às
11h e das 13h às 17h. Juntamente com o CRAS Conviver, as duas unidades do
município acompanham entre 3.500 e 5.000 famílias referenciadas, desempenhando
papel fundamental na promoção da cidadania e na proteção social de crianças,
adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade.
Para Andressa, a conscientização continua sendo uma
das ferramentas mais eficazes no combate ao trabalho infantil. “Quanto mais
pessoas conseguirmos orientar, mais informações serão compartilhadas e mais
fortalecida será a nossa rede de proteção”, concluiu.