O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal,
determinou que a União e os estados que integram a Amazônia Legal e o Pantanal
informem, no prazo de dez dias úteis, quais providências estão sendo adotadas
para prevenir e combater incêndios florestais diante das projeções climáticas
para 2026. A decisão foi tomada no âmbito da Arguição de Descumprimento de
Preceito Fundamental (ADPF) 743, ação que acompanha medidas estruturais
voltadas à preservação ambiental nessas regiões.
No despacho, o ministro destacou que as previsões
apontam para um cenário de agravamento das condições climáticas, com
temperaturas acima da média histórica e persistência de déficit hídrico na
região amazônica e no Pantanal. Segundo ele, há expectativa de intensificação
do fenômeno climático El Niño, que deve atingir seu pico entre os meses de
setembro e outubro, justamente no período considerado mais crítico para o
surgimento e a propagação de incêndios florestais.
De acordo com a decisão, os governos deverão detalhar
as ações de planejamento, prevenção e preparação que vêm sendo executadas para
enfrentar uma possível ampliação das queimadas ao longo do ano. A medida busca
antecipar estratégias de resposta diante do risco elevado de desastres
ambientais.
Flávio Dino também citou reportagens da imprensa
especializada que indicam a possibilidade de evolução do fenômeno climático
para um episódio de maior intensidade, classificado como “super El Niño”. O
ministro ressaltou ainda uma nota técnica do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, que projeta impactos relevantes para a Amazônia Legal em razão da
combinação entre seca prolongada, aumento das temperaturas e queda da umidade
relativa do ar.
A ADPF 743 tramita no STF como uma das principais
ações relacionadas à política ambiental brasileira, reunindo medidas de
monitoramento e cobrança sobre o combate ao desmatamento e aos incêndios
florestais em áreas consideradas estratégicas para o equilíbrio climático do
país.