Os maiores produtores de grãos do Brasil, SLC
Agrícola, Bom Futuro e Scheffer, já aplicam bioinsumos em 100% de suas áreas de
plantio. A informação foi divulgada na sexta-feira (8), durante a 3ª edição do
BioSummit, em Campinas (SP), que reuniu 1.200 participantes para debater os
avanços desses produtos à base de microrganismos, como fungos e bactérias,
usados para proteger plantas e combater pragas.
No painel "Uso de Bioinsumos em Sistemas de
Produção de Grãos", Alexandre Pisoni, da SLC Agrícola, explicou que 17,7%
do manejo de pragas e doenças da empresa já depende de biológicos, abrangendo
5,33 milhões de hectares — com 30% em soja e 25% em milho. O grupo usa
inoculantes, bionematicidas e promotores de crescimento em todas as lavouras.
Cid Ricardo dos Reis, do Grupo Bom Futuro, destacou a
aplicação de controle biológico em 100% do sulco de plantio para soja, milho e
algodão — o canal onde a semente é depositada. "O grande desafio é cortar
defensivos químicos sem comprometer a rentabilidade", enfatizou,
defendendo um modelo sustentável e financeiramente viável.
O Grupo Scheffer, com forte presença em Mato Grosso,
também adota bioinsumos em todo o sulco de plantio. A empresa produz cerca de 2
milhões de litros de biológicos no sistema "on farm" — fabricados
diretamente nas fazendas —, o que corta custos e dá mais autonomia aos
produtores.
O evento premiou práticas sustentáveis com o selo
BioSummit Reconhece. Maira Coscrato Lelis da Silva, da Fazenda Santa Helena, em
Guaíra (SP), venceu por elevar a produtividade em mais de 50% via agricultura
regenerativa, com rotação de culturas e cobertura do solo, sem ampliar a área.
Armin Michael Scherer, do grupo ASKJ e pioneiro em
biológicos desde 1995, ficou em segundo. Sócio da SSA Biofarm, ele aplica 400
mil litros anuais em 30 mil hectares no Tocantins. "É um reconhecimento ao
trabalho pelo futuro da terra", disse o produtor.
Daiana Lopes, CEO da FB Group e organizadora, celebrou
o crescimento de 20% no público em relação à edição anterior, com participantes
de todos os estados brasileiros e 11 países, reforçando o papel dos bioinsumos
no agronegócio global.