A carne suína brasileira vive um paradoxo em 2026:
produção e exportações em níveis recordes, mas preços do suíno vivo em queda
acentuada de até 40% até abril, os menores desde 2019-2022 e a maior
desvalorização em algumas regiões desde 2002. Dados da Conab projetam uma
produção histórica de 5,88 milhões de toneladas este ano, enquanto as
exportações crescem 6% no ano e bateram recorde de 15% no primeiro trimestre,
consolidando o Brasil como potência global, segundo a ABPA.
O excesso de oferta interna, impulsionado pela
produção crescente, colide com um consumo doméstico estagnado, sem absorção
suficiente mesmo com embarques fortes para mercados externos. "As margens
dos produtores estão pressionadas, e a expectativa é de estabilização, não de
recuperação rápida", destacam analistas em relatórios recentes do Farmnews
e Band Agro.
Essa crise cíclica ocorre em meio a uma expansão
estrutural do setor, com o Brasil liderando exportações mundiais de suínos.
Produtores aguardam ajustes no mercado interno para equilibrar as contas.