Cuiabá, MT – Um projeto de lei tramita na
Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) para criar a Política Estadual de
Prevenção e Enfrentamento à Violência Digital contra a Mulher. Apresentado no
dia 15 de abril de 2026, durante sessão ordinária, o Projeto de Lei nº 451/2026
cumpre pauta por cinco sessões e visa estruturar ações públicas de prevenção,
orientação, acolhimento e encaminhamento para vítimas de crimes online.
A iniciativa responde ao aumento acelerado de
violência digital no Brasil, com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública
mostrando crescimento nos registros contra mulheres, como exposição de conteúdo
íntimo sem consentimento e perseguição virtual. Levantamento da SaferNet Brasil
revela que mais de 70% das denúncias de divulgação não autorizada de imagens
íntimas têm mulheres como vítimas principais.
O texto define violência digital como qualquer conduta
via tecnologias da informação que atinja a dignidade, integridade psicológica,
moral, sexual, patrimonial ou liberdade das mulheres. Exemplos incluem
cyberstalking, assédio, chantagem, deepfakes criados por inteligência
artificial e invasão de contas.
A proposta estabelece diretrizes como proteção à
dignidade feminina, prevenção via educação digital e articulação com a rede de
enfrentamento à violência. Prevê acolhimento humanizado, orientação para
preservação de provas digitais, assistência jurídica gratuita pela Defensoria
Pública, suporte terapêutico e psicossocial, além de campanhas educativas,
manuais de proteção de dados e divulgação de canais como o Disque 180.
Os objetivos incluem ampliar a conscientização sobre
riscos digitais, fortalecer centros de referência e capacitar agentes públicos
para atendimentos especializados. O foco está na rapidez na preservação de
provas e no encaminhamento para saúde e assistência social, com integração
entre Executivo, Defensoria e outras instituições. As ações serão custeadas por
dotações orçamentárias próprias, sem interferir na legislação penal, e
respeitam competências estaduais em áreas administrativas, educativas e de
assistência.
Caso aprovado, o projeto deve reforçar a rede de
proteção às mulheres em Mato Grosso, adaptando políticas públicas à realidade
digital e ampliando o combate à violência de gênero no estado.
