A Secretaria Adjunta de Proteção e Defesa dos Direitos
do Consumidor (Procon-MT), vinculada à Secretaria de Assistência Social e
Cidadania (Setasc), monitora o impacto da recente elevação do preço do petróleo
no mercado internacional, associada ao conflito no Oriente Médio, sobre os
preços dos combustíveis no Estado de Mato Grosso.
“O objetivo é monitorar a evolução dos preços não
apenas na revenda ao consumidor, mas também na distribuição, para verificar a
dinâmica de formação de preços ao longo da cadeia de comercialização”, explica
a secretária adjunta do Procon-MT, Ana Rachel Pinheiro Gomes.
A ação atende recomendação da Secretaria Nacional do
Consumidor (Senacon) e Associação Brasileira de Procons (ProconsBrasil). Em
Mato Grosso, o monitoramento de mercado será feito de forma articulada entre o
Procon Estadual e as 52 unidades de Procons Municipais.
Além do monitoramento, o órgão de defesa do consumidor
irá analisar o relatório de preços de combustíveis divulgado pela a Agência
Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com foco na evolução
dos valores médios praticados em Mato Grosso nos últimos 30 dias.
A Coordenação de Fiscalização, Controle e
Monitoramento de Mercado do Procon-MT também solicitou informações à Secretaria
de Fazenda (Sefaz-MT) sobre os preços de distribuição e revenda dos
combustíveis no Estado.
Entre os dados solicitados à Sefaz estão o
detalhamento por produto, período, base de distribuição, região, município,
entre outros que permitam a análise da cadeia de comercialização e formação dos
preços.
O Procon Estadual
está notificando todas as distribuidoras de combustíveis para
apresentarem informações, documentos e notas fiscais sobre operações de
aquisição e venda de combustíveis, bem como de formação do preço e composição
da margem de lucro por litro.
De acordo com o coordenador de Fiscalização do
Procon-MT, André Badini, as notificações começaram a ser entregues nesta
quinta-feira (12.3). O prazo para as distribuidoras encaminharem os dados ao
Procon é de 10 dias, contados a partir do recebimento da notificação. Foram
solicitadas informações sobre os preços dos últimos 30 dias.
“O Procon Estadual coordenará o monitoramento do preço
de revenda nos municípios de Mato Grosso em conjunto com os Procons Municipais,
promovendo uma ação articulada de monitoramento e fornecendo orientações e
subsídios técnicos”, esclarece o coordenador.
As unidades municipais de Procon deverão informar ao
Procon-MT as ocorrências de elevação relevante nos preços de revenda de
combustíveis, indicando sempre que possível as datas dos reajustes, os produtos
afetados, os percentuais ou valores aproximados observados, a existência de
reclamações de consumidores, entre outras informações.
Com base nos dados coletados, o Procon Estadual fará a
análise e relatório técnico sobre os reajustes.
“Se forem identificadas elevações injustificadas de
preço, práticas abusivas, aumentos coordenados ou distorções compatíveis com o
mercado, o órgão de defesa do consumidor poderá instaurar procedimento
administrativo e poderá multar os fornecedores. O relatório também será
encaminhado à Senacon e outros órgãos que atuam na defesa do consumidor para
que sejam tomadas as providências necessárias”, salienta o coordenador de
Fiscalização do Procon-MT.
Outras ações
Desde setembro de 2024, o Procon-MT realiza
monitoramento contínuo e permanente dos preços de combustíveis praticados em
postos localizados nos municípios de Cuiabá e Várzea Grande. A ação tem como
objetivo acompanhar a evolução dos valores ao consumidor e identificar
eventuais distorções na dinâmica de comercialização. O acompanhamento segue
sendo realizado também ao longo de 2026.
Durante esse período de monitoramento, o Procon-MT
identificou situações em que diversos postos passaram a praticar preços muito
semelhantes entre si e a realizar reajustes em períodos praticamente
simultâneos, o que motivou a realização de análises técnicas mais detalhadas
pelo órgão.
Diante dessas constatações, o Procon notificou 45
postos de combustíveis para que apresentassem documentos e informações que
justificassem os valores praticados no período analisado.
Com base nos dados coletados e nas informações
apresentadas pelos fornecedores, o órgão elaborou relatório técnico
consolidado, encaminhado em dezembro de 2025 às autoridades competentes para
análise e eventual apuração, entre elas a Delegacia Especializada de Defesa do
Consumidor (Decon), o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP-MT) e a
Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT).
O relatório também foi enviado à Secretaria Nacional
do Consumidor (Senacon), para eventual encaminhamento ao Conselho
Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão responsável pela análise de
possíveis infrações à ordem econômica.
A documentação encaminhada pelos fornecedores em
resposta às notificações segue atualmente em análise pelo Procon-MT.