Eleitores da etnia Xavante das aldeias Campinas,
Aldeiona e São Pedro, localizadas na Terra Indígena Parabubure, em Campinápolis
— a 513 km de Cuiabá —, receberão atendimento itinerante da Justiça Eleitoral
de Mato Grosso entre os dias 17 e 19 de março, das 9h às 17h. Coordenada pela
26ª Zona Eleitoral, com sede em Nova Xavantina (a 565 km da capital), a
iniciativa prioriza serviços eleitorais como coleta de dados biométricos e leva
esses atendimentos diretamente aos núcleos indígenas.
A ação integra a 2ª edição da Ação Social Conjunta,
promovida pelo Ministério Público de Mato Grosso via Promotoria de Justiça de
Campinápolis, com apoio da Prefeitura Municipal para o transporte dos
servidores. O cronograma inicia na aldeia Campinas (17), segue para Aldeiona
(18) e encerra em São Pedro (19). A determinação veio da juíza eleitoral
Tabatha Tosetto, por meio do Edital nº 10/2026, publicado em 3 de março no
Diário da Justiça Eletrônico (DJE), visando ampliar o acesso da população
indígena a serviços eleitorais em áreas remotas e maximizar a participação nas
aldeias-sede.
Campinas é a aldeia mais populosa, com 949 eleitores
indígenas, seguida por Aldeiona (944) e São Pedro (549). Aldeiona destaca-se
como a mais distante, a cerca de 90 km da sede municipal e 160 km da Zona
Eleitoral. Durante os atendimentos, os eleitores poderão solicitar alistamento
eleitoral (primeiro título), revisão e atualização cadastral, transferência de
domicílio eleitoral, emissão de segunda via do título e coleta biométrica,
entre outros serviços. Basta apresentar documento oficial com foto. Três
servidores operarão dois kits biométricos.
Dados do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso
(TRE-MT) revelam que Campinápolis ocupa a 132ª posição no ranking estadual de
biometria, entre 142 municípios, com 76,63% de coleta (8.695 dos 11.347
eleitores aptos). O cartório busca um contingente de 2.652 eleitores,
equivalente a 23,37%. Curiosamente, o percentual de biometria entre indígenas
(80%) supera o dos não indígenas na zona urbana (72%). "O maior número de
eleitores sem biometria está concentrado na zona urbana", explica Eliton
Dias Padilha, chefe do Cartório da 26ª Zona Eleitoral.
Padilha destaca o maior interesse indígena pela
regularização, impulsionado pela necessidade de títulos em dia para benefícios
sociais. Em 2025, atendimentos nas cinco maiores aldeias-sede permitiram
avanços na biometria. No entanto, desafios persistem, como a falta de registro
de óbitos e mudanças de nomes entre indígenas. Para incentivar a adesão, o
cartório divulga chamamentos em redes sociais (WhatsApp, Facebook e Instagram),
rádios e carro de som. "Percebemos resistência no eleitorado urbano, mas
não desistimos. Intensificaremos ações até o fechamento do cadastro, em 6 de
maio", afirma.