O primeiro mês de aulas na Escola Estadual João Paulo
II, em Paranaíta, tem sido conduzido com foco direto no Atendimento Educacional
Especializado (AEE), entendido pela unidade como eixo central do processo de
adaptação dos estudantes da Educação Especial.
Desde o início do ano letivo, em 3 de fevereiro, as
ações nas primeiras semanas priorizaram a construção de vínculos, a ambientação
ao espaço escolar, a aproximação com os profissionais de apoio e uma avaliação
pedagógica inicial marcada por olhar sensível e escuta ativa das famílias.
Na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM), onde
funciona o AEE, o trabalho começa antes mesmo de qualquer conteúdo formal:
começa pelo acolhimento. A professora Elisa Glatz, responsável pelo atendimento
na unidade, explica que criar confiança é condição para o avanço pedagógico.
“Nosso foco inicial não está apenas em identificar
dificuldades, mas em reconhecer potencialidades. Quando o estudante percebe que
é valorizado, ele se abre para aprender”, afirma a educadora.
Além das atividades de rotina, a escola organizou,
nesse período de adaptação, uma apresentação cuidadosa dos profissionais que
acompanham os estudantes, buscando reduzir inseguranças e fortalecer o
sentimento de pertencimento.
Paralelamente, a professora observa que a equipe do
AEE realiza a avaliação pedagógica inicial com atenção individualizada,
considerando necessidades específicas, modos de aprender e formas mais
adequadas de apoio, sempre em diálogo com pais e responsáveis, considerados
parte essencial na construção de estratégias.
Esse alinhamento com as famílias, segundo a escola,
tem uma finalidade clara de consolidar uma parceria permanente, capaz de
sustentar o estudante durante todo o ano. Para a unidade, o diálogo
estabelecido nas primeiras semanas amplia a confiança mútua e ajuda a formar
uma rede de apoio eficiente, articulando escola, casa e profissionais.
A inclusão também se fortalece no cotidiano das salas
regulares, a partir do trabalho colaborativo entre o AEE e os professores. O
professor de Química Tarcísio Almeida destaca que adequações metodológicas não
significam reduzir expectativas, mas ampliar caminhos de aprendizagem.
“A experimentação química no contexto da educação
especial funciona como uma ponte entre teoria e prática. O foco não é reduzir o
rigor científico, mas diversificar estratégias sensoriais para garantir que o
conhecimento seja acessível e concreto”, ressalta.
No componente Projeto de Vida, a professora Bruna
Rocha avalia que a adaptação passa, também, por tornar objetivos possíveis e
significativos para cada estudante. “Trabalhar o Projeto de Vida exige
sensibilidade. É preciso transformar sonhos em metas possíveis, fortalecendo
autonomia, autoestima e pertencimento”, explica.
Para Maria Regina Santos, da Coordenadoria de Gestão
Pedagógica da DRE de Alta Floresta, o que se observa na João Paulo II é um
exemplo de inclusão construída como prática diária, não como ação isolada.
“O acolhimento é uma postura pedagógica permanente.
Ele consolida a inclusão como princípio diário e garante o direito à educação
com equidade. Ao fortalecer vínculos afetivos e sociais, a escola contribui
diretamente para a autonomia dos estudantes”, destaca.
O secretário de Estado de Educação de Mato Grosso,
Alan Porto, também reforça o papel do Atendimento Educacional Especializado
como base do processo inclusivo. “A educação inclusiva é uma prioridade da Rede
Estadual. Quando a escola investe no AEE, na formação de professores e em
práticas colaborativas, está assegurando que cada estudante tenha acesso ao
aprendizado com dignidade, respeito e igualdade de oportunidades”, afirmou.
