A Câmara Municipal de Vereadores de Carlinda rejeitou,
na tarde de sexta-feira (19), o Projeto de Lei do Legislativo nº 021/2025, que
previa o aumento da verba indenizatória dos parlamentares de R$ 1.500,00 para
R$ 3.500,00. A proposta foi colocada em votação durante sessão extraordinária
convocada pela Mesa Diretora e acabou sendo reprovada pela maioria dos
vereadores.
O projeto foi assinado pela presidente da Casa,
vereadora Lucia de Souza Kanno, pelo segundo secretário Lauro Mota dos Santos e
pelos vereadores Wilson Antonio Evangelista e Antonio Carlos Malissi. Votaram
favoravelmente à matéria os vereadores Antonio Carlos Malissi, Lauro Mota dos
Santos e Wilson Antonio Evangelista, o Ticão. Já a reprovação contou com os
votos das vereadoras Sandra Cristina Costa e Solange Alves dos Santos, dos
vereadores Manoel Rodrigues de Sousa - o Nelo, José Claudio Souza Franco e do
vice-presidente Kennedy Henrique Lomeu.
A rejeição do projeto ganhou ainda mais repercussão
por ocorrer apenas nove dias após a própria Câmara ter aprovado, por
unanimidade, a redução da verba indenizatória exatamente para R$ 1.500,00. Na
ocasião, conforme apurado pelo Gazeta do Nortão, a presidência da Casa
justificou a medida alegando graves problemas orçamentários e falta de recursos
para honrar os pagamentos.
Durante a discussão do projeto que tentava
restabelecer o valor anterior, o vereador Nelo, fez duras críticas à proposta e
à condução administrativa da Câmara. Em plenário, ele afirmou:
“Eu também vou ser contra esse Projeto de Lei que
aumenta a verba indenizatória, porque há 9 dias nós estávamos votando um
Projeto de Lei reduzindo a verba indenizatória de R$ 3.500,00 para R$ 1.500,00.
E agora, estamos aqui votando um aumento voltando o valor da verba
indenizatória para R$ 3.500,00. Então, sou contra, são R$ 2.000,00 que cada
vereador deixará de receber, todos estão trabalhando, viajando muitas vezes até
sem condições, mas vou votar contra porque não adianta a gente fazer algo e
depois nós mesmos desmanchar”.
Em entrevista ao Gazeta do Nortão, Nelo detalhou o
cenário financeiro crítico enfrentado pelo Legislativo municipal e classificou
a situação como resultado de uma desorganização administrativa. Segundo ele, a
própria presidência solicitou o corte da verba indenizatória por falta de
dinheiro em caixa, o que torna incoerente a tentativa de aumento em tão curto
espaço de tempo.
“Está uma desorganização financeira na Câmara, a
situação financeira foi bagunçada. Aí ela [presidente] pediu para que a gente
tirasse R$ 2 mil da nossa verba indenizatória e todos os vereadores concordaram
e votaram a favor retirando do mês de outubro e do mês de novembro. Todos
votaram a favor para reduzir a verba indenizatória para R$ 1.500,00 porque não
tinha dinheiro para pagar. Agora, nove dias depois de reduzirmos apresenta
outro projeto aumentando a verba porque daí tinha dinheiro, então, votamos
contra porque não concordamos.”
Com a reprovação do projeto, permanece em vigor o
valor reduzido da verba indenizatória, reforçando o entendimento da maioria de
que a prioridade deve ser o equilíbrio das contas públicas e a coerência nas
decisões administrativas.
