O modelo de atuação integrada entre setor público e
privado na prevenção e combate aos incêndios florestais em Mato Grosso foi
apresentado na quarta-feira (12.11), na COP 30, em Belém. Referência no
enfrentamento aos incêndios florestais, o estado foi o único do país que entre
os meses de julho a outubro deste ano manteve de forma consecutiva o menor
índice da série histórica de focos de calor registrados pelo Instituto Nacional
de Pesquisas Espaciais (Inpe).
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Flávio
Gledson Vieira Bezerra, contesta o argumento de que os resultados alcançados se
devem à precipitação acumulada de chuvas registrada este ano. Segundo ele,
levantamento da série dos registros de focos de calor desde 1998 demonstra que
em 16 anos a quantidade de chuvas foi superior a 2025.
“Não foi precipitação, não foi chuva. Em 2025, choveu
muito menos que 16 anos anteriores e mesmo assim a gente teve o menor número de
incêndios em todo esse período. Não tenho dúvidas que esses resultados são da
parceria, da integração de vários entes, especialmente do produtor rural, na
prevenção e combate aos incêndios florestais”, ressaltou o comandante-geral.
A secretária de Estado de Meio Ambiente, Mauren
Lazzaretti, também enalteceu a atuação coletiva dos órgãos estaduais com o
setor privado nesse enfrentamento. “É esse espírito colaborativo que conduz a
gestão pública em Mato Grosso, voltada a implementação da agenda ambiental. Um
estado com vocação agrícola, que se posiciona como o maior produtor de grãos do
Brasil mas que tem responsabilidade e compromisso ambiental associados”,
destacou.
Entre os diferenciais do modelo de atuação
implementado em Mato Grosso, foram citados a criação do Comitê Estratégico para
o Combate do Desmatamento Ilegal, à Exploração Florestal Ilegal e aos Incêndios
Florestais (Cedif), que é presidido pelo governador do Estado com a
participação de diversas instituições; elaboração do plano de ação anual com
previsão de investimentos, em 2025 foram
R$ 125 milhões; monitoramento com plataforma adaptada à realidade do estado;
criação da Rede Estadual de Enfrentamento (Sicraif), além da promoção de
pesquisas voltadas às soluções dos problemas.
No estado, o modelo de atuação sistemática na
prevenção e combate aos incêndios florestais contempla sete eixos: governança,
capacitação, tecnologia, pesquisa, estrutura, fomento e normatização.
Também participaram do painel “Inovação e Governança
Ambiental: As Respostas de Mato Grosso aos Desafios do Fogo e da Produção
Sustentável de Alimentos”, a professora da Universidade do Estado de Mato
Grosso (Unemat), Solange Castrillon, e o vice-presidente da Aprosoja, Luiz
Pedro Bier.