Alta Floresta

05 de maio de 2026

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Entidades cobram melhorias e transparência da Energisa em audiência pública realizada pela Câmara Municipal

Representantes da OAB, CDL, CIPEM e Associação das Empresas Loteadoras destacaram falhas no serviço e defenderam união institucional para garantir qualidade no fornecimento de energia

Entidades cobram melhorias e transparência da Energisa em audiência pública realizada pela Câmara Municipal
Lindomar Leal / Câmara Alta Floresta

A Câmara Municipal de Alta Floresta promoveu, na manhã de quinta-feira (30), uma Audiência Pública para discutir os serviços prestados pela Energisa no município e na região. O encontro reuniu vereadores, representantes de entidades de classe, autoridades e o Ministério Público, que debateram as constantes oscilações, quedas de energia e a falta de transparência da concessionária em relação aos investimentos prometidos.

Durante a audiência, representantes de diferentes setores da sociedade civil organizada reforçaram a necessidade de articulação entre as instituições locais para cobrar ações efetivas da empresa e garantir a melhoria dos serviços prestados à população e ao setor produtivo.

A vice-presidente da 8ª Subseção da OAB de Alta Floresta, advogada Alana Gabi Sicuto, destacou a importância da audiência como espaço de escuta da comunidade e de construção de medidas concretas de cobrança.

“Este é um espaço destinado para que a população possa trazer as suas demandas. A audiência pública tem exatamente esse objetivo: escutar os anseios e as reclamações da comunidade”, afirmou.

A representante da OAB relatou casos recorrentes de falhas no fornecimento de energia e criticou a ineficiência das respostas administrativas da concessionária. Segundo ela, nem mesmo procedimentos abertos junto ao Ministério Público resultaram em melhorias efetivas.

“Falo não apenas como representante da OAB, mas como cidadã e usuária do serviço público, que enfrenta as mesmas dificuldades. Não é uma reclamação isolada, é um problema geral da população”, completou.

Alana ressaltou que a Energisa, enquanto concessionária, tem obrigação legal de prestar um serviço de qualidade e eficiente, conforme determina o Código de Defesa do Consumidor e a legislação que rege os serviços públicos.

O presidente da Associação Alta-Florestense das Empresas Loteadoras (AAEL), Rodrigo Arpini, apresentou uma série de questionamentos à Energisa sobre o cumprimento das promessas feitas há um ano, quando a empresa anunciou reforços na capacidade energética de Alta Floresta.

“Do dia 30 de julho ao dia 1º de outubro, registrei 11 quedas de energia em minha casa. Isso mostra que o problema persiste e que nada foi feito”, afirmou.

Arpini cobrou esclarecimentos sobre três pontos principais: o plano de trabalho anunciado pela Energisa em 2024, os investimentos previstos de R$ 15 milhões para o município e a criação de um grupo de trabalho para acompanhar as ações da empresa — temas que, segundo ele, permanecem sem resposta.

“Esses esclarecimentos são fundamentais para que o setor produtivo compreenda o andamento dos investimentos e possa cobrar resultados. Até o momento, nada foi feito”, pontuou.

O representante da AAEL e também vice-presidente da CDL destacou que o diálogo institucional precisa ser fortalecido e que as entidades locais devem ter acesso a informações transparentes e verificáveis.

“Sem dados concretos, não há como cobrar. Precisamos saber o que está sendo feito, quanto foi investido e quais melhorias estão sendo entregues”, concluiu.

O presidente do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira (CIPEM), Ednei Blasius, relatou as graves consequências das quedas de energia para o setor produtivo regional. Segundo ele, indústrias da região chegaram a perder quase um dia inteiro de produção no último mês devido às interrupções no fornecimento.

“Tivemos quase oito horas de produção perdida em um mês. Em Nova Bandeirantes, já são mais de quatro horas de interrupções e 17 oscilações. Isso é inaceitável”, disse.

Blasius destacou que o problema não é exclusivo de Alta Floresta e afeta todo o Estado de Mato Grosso, especialmente nas glebas rurais, onde as redes elétricas estão deterioradas e a manutenção é deficiente.

“Na Gleba Mandacaru, em Paranaíta, são três dias sem energia. A população está perdendo alimentos e produtos perecíveis”, relatou.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), Alex Cavalheiro, lamentou a ausência de representantes superiores da Energisa na audiência.

“O que faltou aqui foi a Energisa. O Romério faz um bom trabalho operacional, mas não tem poder de decisão. A empresa precisa estar presente para responder aos questionamentos”, criticou.

Alex também ressaltou que empresas privadas locais enfrentam a concorrência e precisam oferecer qualidade para sobreviver, enquanto as concessionárias operam sem concorrência, mesmo prestando serviços insatisfatórios.

“Enquanto o comércio luta para atender bem o cliente, as empresas de serviço público impõem condições. Ou você paga, ou fica sem. E o atendimento continua ruim”, comparou.

Lindomar Leal/Assessoria de Imprensa - CMAF
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