O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT),
por meio da 6ª Promotoria de Justiça Cível de Defesa do Consumidor, notificou
as diretorias da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (ABRASEL – MT) e
do Sindicato Intermunicipal de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do
Estado de Mato Grosso (SHRBS-MT), além de outras entidades do setor de eventos,
hotelaria e gastronomia, sobre os riscos relacionados à comercialização de
bebidas alcoólicas adulteradas com metanol. A medida tem caráter preventivo e
foi motivada pelo aumento de casos de intoxicação registrados em São Paulo,
onde já foram confirmadas 22 ocorrências, incluindo cinco mortes.
A recomendação do MPMT orienta os estabelecimentos a
adotarem práticas rigorosas de controle e rastreabilidade na compra,
recebimento e comercialização de bebidas alcoólicas. Entre as exigências estão
a compra exclusiva de fornecedores legalmente registrados, com CNPJ ativo e
reputação reconhecida; a exigência e arquivamento da nota fiscal eletrônica
válida, com conferência da autenticidade; e a proibição de aquisição de
produtos de vendedores informais ou sem documentação fiscal, especialmente em
casos de preços incompatíveis com os praticados no mercado.
O Ministério Público também recomenda que os
estabelecimentos mantenham controle detalhado no recebimento das mercadorias,
com checagem de lotes, rótulos e embalagens, além de treinamento das equipes
para identificar sinais de adulteração, como lacres violados, erros de
impressão, odores químicos e divergência entre os números de lote. Em caso de
suspeita, deve-se interromper imediatamente a venda do lote, isolá-lo
fisicamente dos demais produtos e preservar amostras para perícia.
Caso haja suspeita fundamentada de adulteração, os
responsáveis devem notificar imediatamente os órgãos competentes, como a
Vigilância Sanitária, a Polícia Civil, o Procon e o próprio Ministério Público.
As entidades notificadas têm o prazo de 30 dias para
informar à Promotoria as medidas adotadas para divulgar e cumprir a
recomendação entre seus associados. O MPMT reforça que a omissão pode resultar
em medidas judiciais para garantir a proteção dos consumidores e possíveis
responsabilização dos envolvidos.
De acordo com a promotora de Justiça Valnice Silva dos
Santos, responsável pela recomendação, “consumir bebida alcoólica falsificada
em momentos de celebração pode colocar a saúde e a vida em risco”. Ela reforça
que a prevenção é a melhor forma de proteger os consumidores. “O setor
empresarial precisa garantir a legalidade e a segurança dos produtos
oferecidos. O Ministério Público atua para evitar que incidentes com graves
consequências como os registrados em outros estados se repitam em Mato Grosso.”