Um público estimado em quase 157 mil jovens residentes
em Mato Grosso, com idades entre 15 e 17 anos, está invisível perante a Justiça
Eleitoral. Apesar do direito ao voto a partir dos 16 anos, grande parte desses
jovens não possui o título de eleitor e, portanto, não pode votar. Por esse
motivo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) instituiu a
Semana do Alistamento Jovem, iniciativa estratégica voltada à inclusão política
da juventude e ao fortalecimento da cidadania no estado, com foco nas Eleições
Gerais de 2026. A ação será realizada durante toda a segunda semana de
fevereiro, mas de forma concentrada e simultânea em todas as 57 Zonas
Eleitorais, no dia 10/02 (terça-feira), chamado de o Dia “E” do cadastramento
eleitoral de jovens, em escolas do Ensino Médio.
A medida foi definida após análise no cruzamento de
dados do Censo Demográfico de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), com o Cadastro Eleitoral, que apontou um cenário
preocupante: no Estado, apenas 59 mil jovens possuem título de eleitor e estão
aptos a votar nas eleições deste ano, o que corresponde a apenas 28% dentro da
faixa etária. “Esses números não representam apenas estatísticas, eles revelam
vozes que ainda não estão plenamente integradas ao processo democrático. O cenário
exige ação imediata e responsável. Não se trata apenas de ampliar o número de
eleitores, mas de garantir que a juventude ocupe o espaço que lhe é de direito
nas decisões que definem o presente e o futuro do nosso estado e do país”,
destaca a presidente do TRE-MT, desembargadora Serly Marcondes Alves.
Para compreender a relevância dessa estatística, nas
eleições de 2022, os dois deputados federais eleitos por Mato Grosso menos
votados receberam juntos 107.783 votos. Esse panorama evidencia o poder decisivo
da juventude na escolha do próprio futuro. “O jovem não é invisível. Ele tem
opinião, consciência social e capacidade de transformar realidades. O que
muitas vezes falta é o acesso facilitado à informação e aos serviços públicos.
Por isso, estamos levando a Justiça Eleitoral até onde o jovem está: dentro das
escolas, no ambiente em que ele constrói conhecimento, identidade e cidadania”,
reforça a presidente da Corte Eleitoral em Mato Grosso.
Déficit de representatividade
Diante do déficit de representatividade identificado,
a Presidência do TRE-MT entende que o objetivo da campanha vai além dos
números. A proposta é garantir que essa parcela significativa da população
esteja efetivamente integrada ao processo democrático desde cedo, estimulando o
exercício consciente da cidadania. Ao incentivar o alistamento eleitoral ainda
no Ensino Médio, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso espera fortalecer
o protagonismo juvenil e reafirmar que a participação política começa cedo.
“O título de eleitor é mais do que um documento, é um
instrumento de pertencimento, de responsabilidade e de voz ativa na democracia.
Nosso compromisso é assegurar que esses jovens sejam vistos, ouvidos e
reconhecidos como sujeitos centrais do processo democrático. Investir na juventude
é investir na solidez das eleições de 2026 e no fortalecimento da democracia
para as próximas gerações”, pontua Serly.
Dentro da escola
A ação terá como público-alvo estudantes do Ensino
Médio e será realizada dentro do ambiente escolar, com atendimento in loco.
Cada Juízo Eleitoral deverá articular, junto à Direção Regional de Ensino ou
diretamente com a gestão escolar, a realização dos atendimentos em uma escola
do município-sede da Zona Eleitoral, preferencialmente a unidade com maior número
de alunos matriculados.
As equipes das Zonas Eleitorais serão responsáveis
pelo deslocamento de servidores e equipamentos necessários, como kits
biométricos, possibilitando a realização de alistamentos, transferências e
revisões eleitorais diretamente nas escolas, facilitando o acesso dos jovens ao
serviço. A data, 10 de fevereiro, foi escolhida estrategicamente por ocorrer
após o início do ano letivo da rede estadual, previsto para 2 de fevereiro,
permitindo tempo hábil para a mobilização local e a organização das ações.
A campanha será norteada pelo slogan: “O jovem não é
invisível, ele precisa ser ouvido, mas para isso precisa ter o título
eleitoral”. A ideia é levar essa mensagem de empoderamento e responsabilidade
cívica diretamente às salas de aula, o que é fundamental para consolidar uma
cultura de participação democrática entre os jovens. As Zonas Eleitorais
deverão informar a escola escolhida para a ação até o dia 3 de fevereiro de
2026, prazo passível de prorrogação.
