O Brasil atravessa um momento histórico de redefinição
de suas prioridades. Pela primeira vez, a saúde mental não é apenas um tema de
consultório, mas a principal preocupação nacional. Segundo o levantamento
global Ipsos Health Service Monitor 2025, 54% dos brasileiros consideram o
bem-estar emocional o maior problema de saúde do país, superando o câncer (47%)
e o estresse (36%). Para efeito de comparação, em 2018, apenas 18% da população
via o tema com essa gravidade.
Neste cenário de "novo normal emocional", a
campanha Janeiro Branco 2026 ganha uma dimensão sem precedentes sob o lema "Paz,
Equilíbrio e Saúde Mental: #colanasaudemental". O movimento busca
transformar o silêncio em diálogo diante de estatísticas que revelam uma crise
profunda e multifacetada.
Os dados mais recentes do Ministério da Saúde e da
Fiocruz pintam um quadro alarmante. Em 2022, o Brasil registrou 16.439 mortes
por suicídio (por 100 mil habitantes), a maior taxa da série histórica.
Relatórios preliminares de 2025 indicam que essa tendência de crescimento
persistiu ao longo de 2023 e 2024, afetando principalmente homens jovens e
idosos.
O impacto chega com força ao mercado de trabalho. Em
2024, os afastamentos por transtornos mentais ultrapassaram 440 mil casos — o
dobro do registrado há uma década.
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Ansiedade: 141.414 casos de afastamento.
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Depressão: Mais de 166 mil casos (somando episódios isolados e recorrentes).
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Burnout: O Brasil ocupa hoje a segunda posição mundial em registros de
esgotamento profissional, atrás apenas do Japão.
As Faces da Vulnerabilidade
A crise não atinge a todos da mesma forma. A
desigualdade social brasileira se reflete diretamente na saúde da mente, criando
grupos de risco acentuado:
1. Jovens e Adolescentes
O suicídio já é uma das três principais causas de
morte entre pessoas de 15 a 29 anos. O aumento médio de 6% ao ano nas taxas de
autoextermínio desde 2011 é impulsionado por fatores como a pressão das redes
sociais e o aumento da automutilação pós-pandemia.
2. Gênero e Raça
As mulheres são as mais afetadas por transtornos
comuns: 34,2% sofrem com ansiedade e 18,1% com depressão, frequentemente
sobrecarregadas pelo acúmulo de funções e violência doméstica.
Já a população negra enfrenta o peso do racismo
estrutural. Em 2022, representaram 62% das mortes violentas, enfrentando maior
vulnerabilidade à violência institucional e menor acesso a tratamentos
especializados.
3. Povos Indígenas e Forças de Segurança
Dois extremos da sociedade compartilham estatísticas
trágicas. Entre os povos indígenas, a taxa de suicídio chega a ser 2,5 vezes
superior à média nacional, superando 30 mortes por 100 mil habitantes em
regiões da Amazônia.
Paralelamente, o suicídio tornou-se a principal causa
de morte entre policiais no Brasil, com um aumento de até 26% nos casos
recentes, fruto do estresse extremo e da cultura institucional rígida.
4. Idosos e Comunidade LGBTQIAP+
Enquanto homens acima de 70 anos apresentam taxas de
mortalidade por suicídio de 18,1 por 100 mil (ligadas à solidão e perda de
autonomia), a comunidade LGBTQIAP+ luta contra o estigma: cerca de 42% já
pensaram em suicídio, reflexo direto da rejeição familiar e social.
Desafio Global
O cenário brasileiro ecoa uma crise mundial. A
Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que mais de 1 bilhão de pessoas vivem
com algum transtorno mental. O prejuízo econômico global é estimado em US$ 1
trilhão por ano em perda de produtividade.
"A saúde mental é a urgência do nosso tempo.
Tratar essa questão como política pública é reconhecer que a dor emocional é
uma questão coletiva, não individual", afirma o manifesto da Campanha
Janeiro Branco.
Como Participar?
O Janeiro Branco 2026 convida a sociedade a
"colar" na causa. Através de ações simples — como levar o debate para
escolas, igrejas e ambientes de trabalho — o objetivo é humanizar as relações e
fortalecer a rede de apoio.
Serviço:
Se você ou alguém que você conhece precisa de ajuda,
procure o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) de sua cidade ou ligue para o CVV
(Centro de Valorização da Vida) pelo número 188, com atendimento gratuito 24
horas.
Para saber mais sobre a campanha, acesse janeirobranco.org.br
ou siga @janeirobranco nas redes sociais.

