A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso
(SES-MT) desenvolve e apoia diversas ações com o objetivo de fortalecer a Rede
de Atenção à Saúde, qualificar a assistência e aprimorar a vigilância da
hanseníase em todo o Estado.
Neste mês, no “Janeiro Roxo”, a SES promove campanha
para alertar a população sobre os sintomas, reforçando que o enfrentamento da
hanseníase deve ocorrer durante todo o ano, e não apenas em períodos pontuais.
A campanha também pretende combater o estigma e a discriminação associados à
doença.
“Queremos fortalecer o enfrentamento à hanseníase em
Mato Grosso, pois é muito importante promover o diagnóstico em tempo oportuno,
o tratamento adequado e a vigilância de contatos para a redução do número de
casos. A hanseníase é uma doença crônica e transmissível, mas que tem cura e
pode ser tratada, gratuitamente, pelo Sistema Único de Saúde”, afirmou o
secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo.
Segundo dados do Sinan (Sistema de Informação de
Agravos de Notificação), em 2024 foram notificados 4.723 casos novos em Mato
Grosso. Já em 2025, foram registrados 3.770 casos novos, com uma taxa de
detecção de 96,82 por 100 mil habitantes, condição de hiperendemia no Estado.
Os dados de 2025 ainda são parciais.
O Centro Estadual de Referência em Média e Alta Complexidade
(Cermac), vinculado à Secretaria de Estado de Saúde (SES), é a unidade
responsável pelo atendimento especializado em hanseníase em Mato Grosso. O
serviço acompanha casos com suspeita de falência terapêutica, resistência
medicamentosa, quadros inconclusivos, além da avaliação de reações hansênicas e
outras situações que exigem acompanhamento clínico especializado.
De janeiro a novembro de 2025, o Cermac realizou 1.814
atendimentos relacionados à hanseníase em 778 pacientes. Foram 807 consultas
médicas especializadas, 768 atendimentos com equipes multiprofissionais e 239
procedimentos diagnósticos e terapêuticos.
A equipe possui hansenólogos, assistentes sociais,
farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas, ortopedista, dermatologista,
fisioterapeuta e psicóloga.
A SES transfere mensalmente o valor de R$ 10 mil para
cada um dos seis municípios que mantém Ambulatórios de Atenção Especializada
Regionalizados (AAER), que oferecem tratamento da hanseníase em Alta Floresta,
Barra do Garças, Juara, Juína, Tangará da Serra e Várzea Grande.
Além disso, o Hospital Regional de Colíder passou a
ofertar atendimento especializado no ano passado, ampliando o acesso no
interior.
De acordo com a coordenadora da Vigilância
Epidemiológica da SES, Janaina Pauli, a SES participa do Projeto de Intervenção
Diagnóstica em Municípios com elevados índices de falha terapêutica da
Poliquimioterapia da Hanseníase, do Instituto Lauro de Souza Lima em parceria
com o Ministério da Saúde.
“O objetivo do projeto é determinar as causas de falha
terapêutica em municípios de alta endemicidade, por meio de avaliação minuciosa
dos pacientes. É uma iniciativa estratégica para subsidiar políticas públicas
mais qualificadas e efetivas, com impacto direto na melhoria das ações
assistenciais e de vigilância no Estado”, afirmou.
A Secretaria vai desenvolver ainda, em parceria com a
Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), ações de conscientização,
capacitação de profissionais, fortalecimento da notificação e estudos para
ampliar pontos de diagnóstico.
Capacitações em hansenologia
A SES também mantém ações de educação permanente para
profissionais da rede municipal, reforçando rotinas em sistemas de informações
(Sinan) para qualificação dos dados epidemiológicos e subsídio de condutas
contínuas no cuidado à hanseníase. De abril a outubro de 2025, houve
capacitações para municípios em 15 Escritórios Regionais de Saúde (ERS), com
quase cem profissionais qualificados.
A Escola de Saúde Pública (ESP-MT), vinculada à SES,
oferece especialização para médicos e especialização Interprofissional em
Atenção Integral à Pessoa com Hanseníase.
Desde o início da especialização, em 2022, 37 médicos
já foram habilitados para identificar precocemente os sintomas da hanseníase,
evitando o diagnóstico tardio e cooperando com o cuidado das pessoas em Mato
Grosso. Outros 23 médicos estão em formação no momento com conclusão em abril
de 2026.
Em agosto do ano passado, 34 profissionais de diversos
perfis, como médico, enfermeiro, fisioterapeuta, assistente social, psicólogo,
terapeuta ocupacional, cirurgião-dentista, nutricionista e farmacêutico, se
formaram na primeira turma do curso interprofissional. A segunda turma já está
na fase de matrícula e terá início em março, com 32 profissionais a serem
qualificados.
Além disso, a ESP realizou duas webséries no ano
passado, “O Cuidado em Saúde: Construindo Pontes do Cuidado, Enfrentando
Estigmas e Promovendo a Inclusão”, e “Itinerário Terapêutico do Paciente com
Hanseníase: a Experiência do Município de Lucas do Rio Verde”. No Plano de
trabalho anual da Escola estão previstas outras ações educacionais para o ano
de 2026.
A SES ainda realizou, em parceria com o Ministério da
Saúde, oficina em Juína sobre Avaliação Neurológica Simplificada (ANS),
essencial para a identificação precoce do comprometimento neural, e outra sobre
Qualificação em Reação Hansênica, em Sinop, contribuindo para a melhoria do
manejo clínico das reações e para a redução de incapacidades físicas.
Em 2025, servidores do Cermac e do Centro de
Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa (Cridac), também da SES, participaram
da “Oficina de Prevenção e Reabilitação Física e Cirúrgica em Hanseníase",
no Hospital Universitário de Brasília, fortalecendo a prevenção, reabilitação
física e cirúrgica em hanseníase.
A equipe do Cermac participou do curso presencial de
hansenologia do Instituto Lauro de Souza Lima, em Bauru (SP).
Saiba mais sobre a doença
A hanseníase é uma doença infecciosa e crônica,
causada por uma bactéria que afeta principalmente a pele e os nervos
periféricos. Quando diagnosticada e tratada precocemente, a hanseníase não
causa sequelas.
Os principais sinais e sintomas da hanseníase incluem
manchas na pele (claras, avermelhadas ou acastanhadas) com perda ou diminuição
da sensibilidade ao toque, calor ou dor; dormência ou formigamento em mãos, pés
ou outras partes do corpo; fraqueza muscular; redução da força ou dificuldade
para segurar objetos; áreas da pele ressecadas, sem suor ou pelos.

